DE TUDO UM POUCO

7 dias


75k

Já passaram 7 dias, mas a estória é boa e agora tive tempo de publicar.

Eu pedi para minha virtual ultramiga Etienne contar um pouco da preparação de uma ultramaratona. A prova foi a Maratona de Revesamento Bertioga Maresias, que ocorro no litoral de SP.

Além do revezamento há outras distância, entre elas o 75k solo, ou seja, no modo “survivor”.

Etienne, parabéns pela prova e obrigado por compartilhar conosco.

Curtam o relato.

etienne martins“Quando começamos correr, jamais podemos imaginar o quão longe podemos chegar…”.

Mas costumo dizer que corrida é metáfora de vida! Se acreditarmos em nosso potencial, investirmos em dedicação e persistência, podemos sempre ir muito além.

O tempo, as distâncias são conquistadas pouco a pouco e mesmo assim ao ouvir, encantada as histórias dos amigos ultramaratonistas, acreditava que os 42K me bastavam, que já havia ido muito mais além do que podia imaginar ou do que os meus joelhos pudessem suportar…

Mas a corrida nos desafia o tempo todo!

Fui motivada a fazer o desafio do Pateta. O treino parecia duro, mas sabia que seria capaz. Sempre acreditei muito em mim, e é assim que deve ser. Sou do tipo corredora disciplinada, que segue com rigor as orientações do treinador, que não tem medo de chuva ou frio, que se esforça em combinar alimentação, descanso, cuidados médicos…

Na dura rotina de treinamento: correndo, nadando, fazendo fortalecimento muscular, comecei a observar que dispunha de um mente e um corpo forte e  resistente. Nem havia vencido o Pateta e já pensava na Ultramaratona…

O desafio do Pateta? Foi uma experiência incrível que merece um relato a parte!

Decidido! E a escolha não foi aleatória… De todas as histórias que aqueles malucos ultramaratonistas me contavam, os 75K de Bertioga Maresias me despertavam um interesse especial. A paisagem do litoral Norte de SP seria um cenário perfeito.

Estava ciente que não seria fácil, mas quando recebi a planilha, num domingo a noite quase entrei em pânico! Aquilo não era demais? O treinador não estava pesando a mão comigo?

Procurei os amigos ultras e fui “confortada” por eles, que o caminho era esse, se quisesse ser uma Ultramaratonista, tinha um longo e árduo caminho a percorrer.

Ao procurar o treinador com algumas duvidas, a orientação: “Estamos trabalhando no limite de volume e intensidade… Precisamos regular bem treino e descanso, fique muito sensível ao seu corpo e respeite suas limitações”

Então, bora treinar!!!

Se de tudo, puder dar uma dica valiosa é pra nunca se meter num treino desses se não tiver com quem possa contar, porque só é quase impossível! Mas eles estavam lá, e contei com a parceria de pessoas incríveis e experientes que me ajudaram a me manter firme em meu propósito sem desanimar diante da dor dos treinos. As manifestações de amizade, carinho e companheirismo foram surgindo pouco a pouco e pude compreender que quanto maior a distância mais as pessoas se aproximavam…

Em pouco tempo, já estava completamente envolvida e apaixonada por tudo aquilo! Os treinos me levavam ao limite da exaustão, da comoção e da satisfação em saber que estava diante de um sonho possível.

Chegar para a largada, encontrar amigos e as pessoas que se dispuseram a me ajudar por pura e simples parceria e cumplicidade me fez perceber o quanto aquela prova não era só minha. Eu tinha um compromisso com todos também.

E foi tudo perfeito! Mantive o ritmo de treino, estava bem, sem dores, nem desânimo, muito menos tédio! Não corri nem cem metros sozinha. Tive amigos comigo por todo trajeto e sou imensamente grata a todos eles, que estavam ali, fazendo parte da minha história.

Ao chegar no último PC, pela primeira vez, senti um frio na barriga. Já havia percorrido mais de 60K e sabia que o pior estava por vir. Mas eu estava lá, pronta para isso! E para minha surpresa, meu maior parceiro de treino, que me acompanhou pelos intermináveis longos, depois de concluir sua prova em trio, me esperava para seguir comigo o último trecho.

Só quem sabe o valor da amizade consegue entender o que é isso!

Seguimos… sofrendo, mas sem desanimar diante daquele morro que castigava o corpo já muito cansado. E quem disse que na descida todo santo ajuda, não sabe o que é despencar ladeira abaixo…

Chegar na praia de Maresias e ao longe ver o pórtico de chegada, não há palavras que descreva a emoção que ali se sente. Ouvi do Luis “Vai lá guerreira, agora é com você!”  E cruzei a linha de chegada em 8h58, quando numa previsão otimista, planejava 10 horas de prova.

Feliz, realizada, sorridente e morrendo de amor… Os 75K de Bertioga a Maresias eram meus… E isso, ninguém me tira!

Precisava agradecer a todos que me apoiaram, incentivaram e torceram por mim. Meu pai e minha mãe, ligando o tempo todo, num misto de orgulho e preocupação… Mas, a presença constante e paciente do João Kassawara, Ezequiel Junior, Cláudia Ruas, do Ronaldo Watanabe, Marcel Pracidelle, Harry Tomaz Jr., Marcos Sayeg e do Luis Carmo foram o que de melhor essa corrida pode me dar: a certeza de que tenho amigos em que posso confiar.

O meu amor, carinho e respeito por todos vocês, que dividiram comigo e fazem parte dessa minha conquista!

Meu ULTRA obrigada!

Etienne Martins

Foto: Arquivo pessoal Etienne Martins.

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