TREINANDO

Não reclame de barriga cheia


Da série desbravando cidades no interiorrrrrrrr : Uva, maçã e morros em Videira/SC.

Este deve ser o quinto post que falo de treinos em cidades que eu viajo a trabalho. Gostaria de publicar treinos falando sobre correr em Miami, Londres, Fortaleza, Salvador, Rio…Mas aqui o negócio é caveira, então minhas viagens são para o interior de Santa Catarina. Há belas cidades, pequenas e acolhedoras.

Depois de encarar 500km em mais de 5:30h de boleia (dirigindo) sozinho e sem almoçar para não dar sono chego a pacata cidade de Videira no meio oeste Catarinense colonizada por imigrantes alemães e italianos vindos do Rio Grande do Sul. O nome Videira deve-se ao fato de a região ser um grande centro vitivinicultor do estado produzindo bons vinhos de altitude. Também é uma região produtora de maças, inclusive foi meu lanche pré-treino.

No dia anterior planejei fazer meu treino de quarta-feira ainda em Floripa antes de pegar a estrada. A planilha marcava um intervalado com Aquecimento 2Km (Trote) + ALONGAMENTO 5 Minutos (hidratar) + Série: 6 x 1km – 1 (Z 1) + 2 (Z2) + 2 (Z3) + 1(Z1) Alongar e Hidratar – 10 min. (trote). Tempos: Z 1 (4′ 34″), Z 2 (4′ 21″) e Z 3 (4′ 12″).

Fiquei pensando se o coach tava de mau humor ou queria se vingar da semana passada que foi moleza, quando mandou os tiros de 1000m para 4:34″, 4:21″ e 4:12″, fiquei pensando que poderia ser pior. Como estava chovendo muito não rolou o treino e “peguei a viola, botei na sacola e fui viajar”.

Na estrada fiquei pensando onde eu poderia fazer os tiros de 1000m em Videira, pois a cidade é uma pirambeira, não há 100m de terreno plano, só morro, morrinho e morrão. Quando cheguei ao hotel e perguntei para a recepcionista, ela respondeu: “Senhor aqui é assim mesmo, não há nenhum lugar plano não”. Dai percebi que teria que adaptar o treino.

Já que o que não tem remédio remediado está resolvi fazer um 10k de rodagem e conhecer a cidade. Como sempre, esqueci de pegar uma bermuda normal e só tinha uma de compressão. Eu já aprendi que no interior não dá pra usar esse tipo de bermuda, as pessoas ficam olhando e como dizem na novela Gabriela…”as pessoas vão maldar”. Dito e feito, todo mundo ficava me olhando meio estranho, mas não dei bola e segui firme.

Comecei a descer a rua do hotel que não acabava nunca, depois começou a subir e depois descer e a subir de novo e a descer de novo. A regra básica de navegação é você marcar um ponto de referência e depois voltar pelo mesmo caminho ou simplesmente marcar o percurso no GPS, mas eu até marquei o nome da avenida principal e um banco como referência, mas com todo aquele sobe e desce fui parar na periferia da cidade e me perdi, mas fui salvo por um PM que mostrou o caminho de volta.

Quando me encontrei e cheguei no ponto de referência eu percebi que estava com duas bolhas, uma em cada pé. Esqueci de colocar na mala meias de corrida e usei uma qualquer que estava nova, dai foi bolha na certa. Fiz pit stop em uma farmácia e comprei um band-aid para quebrar o galho.

Já nessa altura estava garoando com 13 graus de temperatura, o frio pegando e ainda tinha que retornar 4k até chegar ao hotel e essa parte era só de subida.

No final das contas cheguei no hotel todo molhado, mas incrivelmente satisfeito, pois não cheguei cansado. Isso quer dizer que o preparo e o período de base feito foi fundamental para correr tranquilamente, mesmo em um percurso de sobe e desce tipo montanha russa.

Foi duro, mas foi bom. E eu que estava reclamando dos tirinhos de 1000m, realmente não dá para reclamar de barriga cheia!

Anúncios

8 comentários em “Não reclame de barriga cheia

  1. Diego,
    Se perder em Videira me provocou risos. Esse pessoal que se aventura a correr em cidades de interiorrr com bermuda de compreessão não são muito certos. Os moradores tem motivo para falar meeeesmo….
    Abraço e até domingo!!!
    Helena
    correndodebemcomavida.blogspot.com
    @correndodebem

    Curtir

  2. Hahaha. Pessoal que não corre não entende as roupas de corrida. Aliás, não entende uns loucos correndo. Tenho vários parentes em Videira. Vários mesmo. Todo ano vou para lá e sempre tive vontade de correr nessa cidade que não conhece o que é plano. Nunca deu certo. Só consegui correr em Iomerê, na estrada de chão, com iguais subidas e descidas. Sempre pensei na vida do corredor amador de Videira. Ou ele desiste no começo ou consegue um baita condicionamento. É bem isso. Sobe e desce e sobe e desce. E não é descidinha ou subidinha. Baita treino.

    Curtir

    1. Fala Enio, cara só vi a encrenca quando já era tarde demais…heheh mas foi um treino massa, tirando que perdi várias vezes pois como a cidade é sobe e desce fica complicado vc entrar em uma outra rua, não existe uma volta na quadra…pois ela continua em uma outra rua que sobe ou que desce hehehe
      Nos falamos domingo
      Abraço.

      Curtir

  3. Beleza Diego, parabéns pela disposição porque encarar as ladeiras de Videira não é pra qualquer um não! Eu estive aí há uns 5 anos e fiquei impressionado com a topografia. Meu irmão mora em Caçador, que ele começou a achar muito plana depois de conhecer Videira hehehehehe
    Abraços e boas escaladas, digo corridas.

    Curtir

Obrigado pela visita e participem comentando no blog!

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s