DE TUDO UM POUCO

O desafio


Depois de fazer uma prova de Fundamentos da Qualidade ontem a noite, onde quase fritei a placa mãe do meu cérebro, acho que fiquei um tanto quanto nostálgico e lembrei de alguns fatos da minha infância que relacionei com a corrida.

Embora eu tenha nascido e vivido grande parte da minha vida em Porto Alegre eu passei um bom tempo no interior, morei em um sítio e também em uma pequena cidade chamada Tapes as margens da Lagoa dos Patos. Como em toda cidade de interior há aquelas pessoas ou figuras  folclóricas como costumamos chamar.  Lá havia o mudinho, a véia da praça, o Pedro loco entre tantos outros.

Os meus melhores amigos são de lá. Os melhores anos da minha infância e juventude passei nessa cidade, onde você podia ficar até tarde na rua, andar de bicicleta sem se preocupar com trânsito e jogar bola em qualquer lugar e depois chegar de bando na casa de alguém para fazer um lanchinho.

Lembro de três histórias engraças dessa época. Uma foi com meu grande amigo Vinicius que atualmente mora em São Paulo e que foi um dos primeiros da turma a começar a correr há muitos anos atrás. Certa vez depois de assistir o filme Rocky Balboa ele saiu correndo e só parou depois de atravessar a cidade, o detalhe é que ele tinha uns 12 anos e ninguém entendia porque aquela criança corria sem parar. Essa história é clássica até hoje quando nos encontramos.

Outra história engraçada e das antigas, mas que hoje é atual, pois trata de correr descalço é de uma figura chamada Odara. Ele era uma pessoa simples, inteligente e gostava de estudar e ler, sempre foi um bom aluno e ele foi a primeira pessoa que vi correr de pés no chão como se fala no interior. Era baixinho, atarracado de perna curta, mas corria muito, era ligeirinho no asfalto, na terra batida, na areia da praia ou na grama, para ele era tudo igual e lembro dele dizer que não conseguia usar tênis, pois gostava de sentir o chão…imagine os pés desse cidadão.

A última é do Jair. O Jair também era uma das figuras mais engraçadas dessa pequena cidade, era um bom jogador de futsal, mas não batia muito bem da bola, acho que devia ter algum problema. Lembro que ele era mais velho que nós e adorava desafiar a galera do campinho de futebol da paróquia. Ele jogava sozinho contra uns 5 muleques e o pior é que sempre ganhava.

O Jair também era corredor, magro, leve estilo queniano, só que branco desbotado. Na época sempre pensávamos como seria o desafio do Jair contra o Odara e por vários anos tentamos organizar o embate, mas não logramos sucesso, pois na última hora o Jair fugia da raia e sumia por alguns dias. Depois ele voltava e continua dizendo que ganharia do Odora.

Realmente é bom viver no interior, sempre haverá uma boa história para lembrar…acho que tenho que ir visitar meu pai em breve para reviver alguns destes momentos…

Oh! que saudades que tenho
Da aurora da minha vida,
Da minha infância querida
Que os anos não trazem mais!
Que amor, que sonhos, que flores,
Naquelas tardes fagueiras
À sombra das bananeiras,
Debaixo dos laranjais!

Meus oito anos – Casimiro de Abreu

Imagem reprodução.

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