DE TUDO UM POUCO

Nós na pista


A corrida tem o poder de mudar a nossa vida, de fazer com que as pessoas compartilhem, façam novas amizades e multipliquem sua expectativa de vida. A palavra que quero descrever é um substantivo masculino e adjetivo e vem do verbo amar, logo quem pratica esportes com amor e sem ser um profissional é um AMADOR.

Hoje dedico esse post para apresentar uma grande figura que conheci através das corridas, pessoa que tem um coração do tamanho do mundo e que pelo pouco que conheço é capaz de correr uma maratona com você caso o convide para uma “corridinha”. Minha ideia era fazer tipo um bate papo como fiz com os triatletas Vivian e Alexandre no post Músculos e nervos de aço, mas saiu melhor do que a encomenda, pois meu convidado é um baita escritor, atleta e blogueiro de mão cheia e eu nem precisei escrever e muito menos fazer a revisão ortográfica.

Deixo com vocês meu parceiro e grande inspirador a partir de hoje, Juarez Lucas.

May Way, by Juarez Lucas

O esporte entrou em minha vida a partir dos seis anos de idade. Eu sofria de asma e, por determinação médica, passei a praticar natação. Essa é a minha atividade de origem e através dela me familiarizei e peguei gosto por todas as coisas que estão relacionadas a um bom condicionamento físico.

Nas piscinas, como mirim e petiz (categorias daquele tempo), ganhei inúmeras medalhas representando a Universidade Gama Filho (integrei sua primeira equipe) e o Clube Guanabara, ambos no Rio de Janeiro/ RJ. Na primeira, aprendi a nadar com o grande mestre Basilone e, na segunda, sob a orientação do professor Hélio Lobo fui indicado para treinar em Fort Lauderdale na Florida/ EUA. Na ocasião, devido à insegurança relacionada à vida de atleta e como meus pais não tinham condições de arcar com as minhas despesas em território americano (na época nem se imaginava qualquer espécie de patrocínio para nadadores no Brasil), tive que esquecer e “abrir mão” dessa oportunidade.

Em 1981 entrei para a Escola Naval e lembro-me, como se fosse hoje, do dia em que Marco Ripper foi até lá para tentar obter algum apoio para a realização do Ironman do Hawai. Ao ouvi-lo falar, brotou em mim o desejo de também fazer a prova. Acho que o Ripper não conseguiu o que queria, mas, mesmo assim, ele correu em Kona tornando-se o primeiro brasileiro a fazê-lo. Quanto a mim, passei a acalentar o sonho de um dia realizar a mesma façanha do meu ídolo.

Em 1982, no segundo ano da Escola, tornei-me o primeiro Aspirante a correr uma maratona – a Maratona Internacional do Rio de Janeiro patrocinada pela Caixa Econômica Federal.

Em 13 de dezembro de 1984 me formei como Oficial de Marinha. A partir daí a vida profissional embarcado em diferentes belonaves, os compromissos familiares (casei-me em dezembro de 1985 e minha primeira filha nasceu em 1987) e a já mencionada falta de dinheiro continuaram adiando o objetivo do Iron. Nessa época já havia uma etapa no Brasil e era realizada em Porto Seguro/ BA.

Em abril de 1989 tornei-me diabético e, já divorciado, conheci Alexandre Maximiliano. Esse é um dos maiores triatletas deste país e foi o meu primeiro treinador. Hoje, entre outros, ele treina o grande Alexandre Moura. O Max incentivou-me de todas as formas possíveis e fez tudo o que estava ao seu alcance para que eu fosse à Bahia correr o Ironman Brasil, mas as dificuldades financeiras…

Em agosto de 1997, em virtude da diabetes, fui reformado pela Marinha e voltei a Porto Alegre/ RS, minha cidade natal. Em 2005 comecei a treinar com o professor Daniel Rech e este, assim como o Max, muito me incentivou a correr o Iron, agora já em Florianópolis/ SC.

Durante toda esta trajetória, de mais de 25 anos, corri sete maratonas, quatro no Rio e três em Porto Alegre; três ½ Iron em Pinhal/ RS e inúmeras provas como Mountain Do e Volta à Ilha. Isso sem falar em meias-maratonas e dez quilômetros dos circuitos Paquetá, Adidas, Mizuno,… Em todo esse tempo, obtive diversos pódios dentro das categorias etárias.

Até que em 2009 consegui realizar parte do meu sonho: corri meu primeiro Ironman Brasil em Floripa. Em 2011, tive a benção de poder repetir o feito. Sem nenhuma dúvida, essas, mesmo sem obter pódios ou medalhas, foram as competições mais importantes de toda a minha vida. Por que eu afirmo isso? Desculpem-me pelo “clichezão”, mas é muito simples. Porque triathlon é mais do que um esporte, é um estilo de vida! Esta prática muda a sua vida em todos os sentidos e de todas as formas que você possa imaginar.

Hoje, com 48 anos, ainda penso que sou um iniciante e que tenho muito que aprender. Mesmo sendo bastante difícil, procuro treinar duas modalidades diferentes por dia. Até o final deste ano correrei a minha primeira ultramaratona, mundo em que estou começando a entrar influenciado por grandes atletas como Márcio Villar do Amaral.

O sonho do Ironman no Hawai ainda está vivo dentro do meu coração e vou continuar perseguindo-o enquanto houver forças em meus braços e pernas para nadar, pedalar e correr.

Para quem está começando eu recomendo a mesma coisa que digo para atletas experientes. O esporte tem o poder de mudar vidas, o país e o mundo. Se você deseja essa mudança, pratique-o da forma com que você quer ver a sua vida, o seu país e o seu mundo, ou seja, com honestidade, com dignidade e com grandeza. Faça das piscinas, mares, pistas, ruas e montanhas o ponto de partida para esta mudança. A revolução começa em você e nas suas atitudes.

Treine e corra grande; seja maior ainda!

Abraços e Beijos,

Juarez Lucas

Depois dessa demonstração do significado da palavra AMADOR, desejo a todos um ótimo dia e boas corridas!

Visitem o blog do Juarez http://ijuarezlucas.wordpress.com/

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2 comentários em “Nós na pista

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